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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Os antípodas - O belicista e o pacifista



Muitas vezes dizem que os opostos se atraem, e isso aconteceu na série Perry Rhodan.
Apesar de suas diferenças de caráter, personalidade e opiniões, K. H. Scheer soube reconhecer o talento e a capacidade de William Voltz, e o manteve como seu auxiliar na elaboração e organização dos ciclos da série, além de como um dos autores da mesma.

Karl-Herbert Scheer (19 de junho de 1928 em Harheim (Hessen), Alemanha - 15 de setembro, 1991 em Bad Homburg , Alemanha) foi o idealizador e criador da série Perry Rhodan, juntamente com Walter Ernsting (Clark Darlton). No entanto, todo o controle dos destinos da série estava nas mãos e na mente de Scheer, que com uma personalidade forte e autoritária, tinha um estilo controlador, não deixando margem a que os autores imprimissem grandes doses de suas opiniões nos roteiros elaborados por ele. Por conta disso, demitiu sumariamente alguns autores que em sua visão, não se adequavam às suas ideias.
Ele serviu na marinha na 2ª guerra mundial, e essa experiência se fez sentir em seus romances, onde suas experiências de combate em um submarino passaram a ilustrar a vida em uma nave espacial.
Talvez também por conta disso, ou por questões ideológicas, sua fase no comando da série ficou marcada por grande belicismo e defesa de um forte poder militar, o que lhe valeu as alcunhas de "Herbert Canhão" e "granada de mão Herbert".
O personagem Perry Rhodan foi chamado pela imprensa de o Hitler da ficção científica, pelo forte culto à personalidade do líder imposto por Scheer ao seu herói e pelos poderes ilimitados, que uma suposta "democracia" não escondia, que davam a Rhodan poder de vida e morte sobre seus subordinados, fazendo-o assim o protótipo perfeito do ditador, como os césares da Roma antiga, que com um gesto de mão decidiam sobre a vida ou morte das pessoas.
No entanto isso não impediu que ele tivesse admiradores e pessoas que compartilhavam de sua visão. E mesmo para os que não apreciam o belicismo exacerbado e a apologia ao absolutismo, se deixassem isso de lado veriam que as histórias de Scheer costumavam ser boas – principalmente as que versavam sobre espionagem e batalhas.

Mas a partir do 6º ciclo da série, ele passa a escrever cada vez menos, em virtude de problemas de saúde.(Nesse ciclo escreveu apenas cinco episódios). Sua última história como coordenador da série foi a de nº 500, "Eles Vieram do Nada" (Sie kamen aus dem Nichts), de 20 de abril de 1971. Após isso ainda continuou como coordenador oficialmente, se bem que na prática isso já não acontecesse.
Criou o personagem Atlan, uma espécie de alterego de Perry Rhodan. Tratava-se de um aristocrata de família nobre e governante de Árcon, do qual foi imperador, em uma forma de governo absolutista. O personagem foi um grande sucesso, tendo gerado uma série paralela, e se mantem até hoje como um dos personagens fixos da série Perry Rhodan.
Scheer se afastou da série por muitos anos, mas retornou a ela como um autor comum, no episódio 1074, "A Isca de M3" (Lockruf aus M 3), de 22 de março de 1982, quando seu ex-auxiliar Voltz era coordenador-geral da série.
Escreveu mais 25 episódios, sendo que o último foi o 1544, "Roleta dos Eleitos"(Roulette der Auserwählten), lançado em abril de 1991.

Escreveu para outras publicações como a série Utopia.
Usou pseudônimos como:
Pierre de Chalon
Roger Kersten
Diego el Santo
Klaus Tannert
Alexej Turbojew

Wilhelm Karl Voltz (28 de janeiro de 1938, em Offenbach, Alemanha – 24 de março de 1984) publicou seu primeiro romance em 1958 na série Utopia. "O Lutador das Estrelas" (Sternenkämpfer) ganhou vários premios.
Estreou na série Perry Rhodan no 2º ciclo, com o episódio 74, "O Pavor" (Das Grauen), lançado em 1 de fevereiro de 1963.

Voltz se opôs a prestar o serviço militar por uma questão de convicção e princípios éticos. No entanto ele havia sido considerado como nível 4 – inapto, por um problema nos pés e por daltonismo.

Era um pacifista, não acreditava em guerras e na força bruta para resolver os problemas humanos.

Sua influência na série foi enorme. A partir do momento em que assumiu a função de coordenador, a série ganhou tons humanistas; o enfoque passou a ser o íntimo do ser humano, suas dúvidas. Os mistérios do cosmos e as forças existentes no Universo são explorados, mostrando a fragilidade e a pequenez da humanidade, que apenas faz o seu papel em um imenso plano cósmico de inteligências superiores. As fraquezas, angústias e dilemas psicológicos dos personagens são temas constantes.
Perry Rhodan perde seus superpoderes, e apesar de continuar com papel central e predominante, não apresenta mais a infalibilidade de outrora, e inclusive deixa de ser o governante dos terranos.
A série ganha contornos místicos e os mistérios e problemas se avolumam e ganham em complexidade, com várias nuances que formam um contraste com a simplicidade do maniqueísmo da era Scheer.
Seu último episódio na série foi o de nº 1165, "Lágrimas de Einstein" (Einsteins Tränen), publicado em 19 de dezembro de 1983.

Texto - Delgado.

Fontes de informação e crédito de fotos - Perrypedia, e:

http://www.williamvoltz.de/index.html

2 comentários:

  1. Obrigado.
    Não sei se já viu, mas caso ainda não, veja o link que pus na postagem, a página sobre o William Voltz. Tem muitas informações lá, e fotos raras.
    Mesmo para quem não sabe alemão, com o tradutor automático dá pra se entender muita coisa.

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